O panorama laboral português é verdadeiramente desolador, quando comparado com os nossos parceiros europeus: temos os salários mais baixos da União Europeia e das mais elevadas cargas fiscais da Europa, nomeadamente sobre o trabalho.
Para além disso, atravessamos momentos de incerteza económica e financeira sem paralelo, com a inflação mais elevada dos últimos 30 anos e uma guerra sem fim à vista.
É com este cenário em pano de fundo que os trabalhadores portugueses se deparam: salários baixos, impostos asfixiantes, preços a aumentar e perda de poder de compra. Não há como dizê-lo de outra forma – vem aí austeridade.
Ao mesmo tempo, os trabalhadores portugueses nunca estiveram tão desprotegidos como hoje e não têm nos sindicatos ninguém que verdadeiramente os defenda. O panorama sindical em Portugal é totalmente controlado pela esquerda e extrema-esquerda, que usa os trabalhadores para fazer passar a sua ideologia e se serve destas estruturas para controlar importantes sectores da economia.
Neste momento, os principais inimigos dos trabalhadores estão nos sindicatos, uma vez que subvertem aquela que dizem ser a sua missão principal através das medidas que promovem. Ao contrário da visão marxista de luta de classes – que opõe o capital ao trabalho, o patrão ao empregado – entendemos o associativismo sindical como um estrutura que para defender os trabalhadores tem de estar em sintonia com todas as forças vivas da economia e não contra elas.
A história do movimento sindical não esteve sempre associada à esquerda, sendo exemplo disso o sindicato polaco “Solidariedade”, liderado por Lech Wałęsa, que desempenhou um papel decisivo para pôr fim ao comunismo na Polónia e à “Cortina de Ferro”.